[ QG (Quarto Siegh) - Tarde ]

-Então tá, quer que eu pegue o vale agora? - Aceitou. Não tinha como também, era uma oportunidade única de conseguir algum deles, talvez ter um pet seria até interessante. - Eu vou querer o Dokebi. Alias como vão as armas do chifre? Se desse certo talvez eu até daria o outro chifre para você invés de mandar para as ilhas. - Apanhou a cesta de roupas que tinha deixado no chão, se fosse pegar o vale já aproveitaria e acabava o que estava fazendo.

-Quando puder me dar, mais cedo, melhor. - Ele concordou com ela e se debruçou sobre a cama, pegando o ovo da direita. - E sobre o chifre e as bolsas, eu tenho que passar em Canaban. Acabei não voltando lá ainda. - Esclareceu.

-Ok então, quando você for lá me avisa, e melhor deixar o ovo ai, tenho que deixar minhas roupas para lavar primeiro. E seca o chão. -  Já estava com a cesta em mãos, então deixou o imortal lá em seu quarto e seguiu até as escadas.

Observou ela indo e voltou a deixar o ovo no lugar de onde tirara. Acenou para ela antes dela sair completamente, ouvindo suas palavras. Secar o chão? Ah, ele vai secar sozinho… Eventualmente.

[ QG (Quarto Siegh) - Tarde ]

Era mais difícil do que poderia parecer, estavam falando de seres vivos que precisam de cuidado e atenção, será que Lire estava pronta para aquela responsabilidade? - Já que você quer o seu próprio, eu tenho um vale comigo que poderia te ajudar com sua missão. - Parecia justo. Havia recebido aquele vale em agradecimento por alguns favores, mas não teria uso para aquilo. Para o imortal, no entanto, serviria bem seu propósito.

-Oh, isso é uma proposta interessantíssima. - Ele sorri. - Mas mesmo que você não me desse nada ficaria tudo certo, afinal, como eu disse, tê-los ou não não, não faz realmente uma diferença pra mim agora. - Deu de ombros. - Contanto que você cuide bem daquele que você quiser, estou bem.

-Então tá, quer que eu pegue o vale agora? - Aceitou. Não tinha como também, era uma oportunidade única de conseguir algum deles, talvez ter um pet seria até interessante. - Eu vou querer o Dokebi. Alias como vão as armas do chifre? Se desse certo talvez eu até daria o outro chifre para você invés de mandar para as ilhas. - Apanhou a cesta de roupas que tinha deixado no chão, se fosse pegar o vale já aproveitaria e acabava o que estava fazendo.

-Quando puder me dar, mais cedo, melhor. - Ele concordou com ela e se debruçou sobre a cama, pegando o ovo da direita. - E sobre o chifre e as bolsas, eu tenho que passar em Canaban. Acabei não voltando lá ainda. - Esclareceu.

[ QG (Quarto Siegh) - Tarde ]

Pendeu a cabeça ao ouvir o assunto, não intendeu porque ele foi falar dos ovos logo agora. Ouviu a proposta, e se surpreendeu ao ouvir do que se tratava. - Dokebi e Flubell? - Teve que repetir, para que não houvesse dúvida, afinal a elfa sabia muito bem o que ambos eram pois fora educada nisso. Era uma oferta tentadora, agora que parou para considerar.

- E-Eu não sei. Você sabe que essas duas criaturas tem enormes potenciais né? - Estava indecisa, fitava os ovos enquanto falava. - Porque eles estavam naquela caverna - Falou para si mesma. Virou então para o moreno, parecia meio sem graça em aceitar mas estava quase pegando a do Dokebi . - Mas foi você que achou eles, não me parece muito justo… Você quer algo em troca?

-Sei, sei sim. - Ele comentou. - Por isso acho idiota devolvê-los para a petshop e pronto. - Comentou. Em seguida ouviu o que a elfa tinha a dizer e rapidamente se explicou. - Eu não vou ficar com nenhum, por isso não é realmente um problema. Eu, de fato, quero um mascote. Mas quero um outro… Diferente. - Havia pesquisado sobre alguns pets e estava quase decidido quanto ao que queria, apesar de que seria bem trabalhoso obtê-lo. - Por mais que dê bem mais trabalho do que achar dois ovos em uma caverna de qualquer maneira… - Ele riu, dando de ombros. - Mas você quem sabe, eu não vou ficar com nenhum deles, então eles não tem nem uso, nem valor. Vou pegar somente o que a petshop me oferecer de preço por eles e pronto. - Comentou. - O que você quiser me dar em troca eu fico satisfeito, acredito que você acabaria tendo mais uso do que eu.

Era mais difícil do que poderia parecer, estavam falando de seres vivos que precisam de cuidado e atenção, será que Lire estava pronta para aquela responsabilidade? - Já que você quer o seu próprio, eu tenho um vale comigo que poderia te ajudar com sua missão. - Parecia justo. Havia recebido aquele vale em agradecimento por alguns favores, mas não teria uso para aquilo. Para o imortal, no entanto, serviria bem seu propósito.

-Oh, isso é uma proposta interessantíssima. - Ele sorri. - Mas mesmo que você não me desse nada ficaria tudo certo, afinal, como eu disse, tê-los ou não não, não faz realmente uma diferença pra mim agora. - Deu de ombros. - Contanto que você cuide bem daquele que você quiser, estou bem.

[ QG (Quarto Siegh) - Tarde ]

Óbvio, só podia ser ele. Se abaixou para deixar a cesta lá, não acreditava que demoraria muito mesmo, então o imortal abriu a porta. Já estava se acostumando com o fato dele ficar por ai só de bermuda, ainda permaneceu no lugar aonde estava mas se encostou no batente. - Falar comigo? Eu só estava indo para a lavanderia, mas sem pressa! Fale.

-Ah, é que depois que trocamos os valores dos objetos e tal, eu não sei, a semana pareceu meio corrida. - Ele falou rindo. - Eu acabei esquecendo de falar com você sobre os ovos.

Apontou com a cabeça para o “cantinho dos ovos” - como assim havia apelidado. - Falei com um especialista, por assim dizer, e ele me disse que são ovos de um Dokebi e uma Flubell. Ainda pensando que é injusto você não ter nenhum deles, afinal, bem ou mal, você acabou me ajudando bastante na missão, pensei em te perguntar antes de entregá-los para o dono da pet shop, pois eu não tenho nenhum interesse… Você quer algum deles?

Pendeu a cabeça ao ouvir o assunto, não intendeu porque ele foi falar dos ovos logo agora. Ouviu a proposta, e se surpreendeu ao ouvir do que se tratava. - Dokebi e Flubell? - Teve que repetir, para que não houvesse dúvida, afinal a elfa sabia muito bem o que ambos eram pois fora educada nisso. Era uma oferta tentadora, agora que parou para considerar.

- E-Eu não sei. Você sabe que essas duas criaturas tem enormes potenciais né? - Estava indecisa, fitava os ovos enquanto falava. - Porque eles estavam naquela caverna - Falou para si mesma. Virou então para o moreno, parecia meio sem graça em aceitar mas estava quase pegando a do Dokebi . - Mas foi você que achou eles, não me parece muito justo… Você quer algo em troca?

-Sei, sei sim. - Ele comentou. - Por isso acho idiota devolvê-los para a petshop e pronto. - Comentou. Em seguida ouviu o que a elfa tinha a dizer e rapidamente se explicou. - Eu não vou ficar com nenhum, por isso não é realmente um problema. Eu, de fato, quero um mascote. Mas quero um outro… Diferente. - Havia pesquisado sobre alguns pets e estava quase decidido quanto ao que queria, apesar de que seria bem trabalhoso obtê-lo. - Por mais que dê bem mais trabalho do que achar dois ovos em uma caverna de qualquer maneira… - Ele riu, dando de ombros. - Mas você quem sabe, eu não vou ficar com nenhum deles, então eles não tem nem uso, nem valor. Vou pegar somente o que a petshop me oferecer de preço por eles e pronto. - Comentou. - O que você quiser me dar em troca eu fico satisfeito, acredito que você acabaria tendo mais uso do que eu.

[ QG (Quarto Siegh) - Tarde ]

Havia algum tempo desde que a elfa chegara da festa. Ja que havia partido na mesma noite que chegou já tinha tomado banho, se trocado e descansado o bastante. Descia as escadas com sua cesta de roupas sujas em mãos enquanto cantarolava alguma musica em sua lingua ate perceber uma das porta do corredor entreaberta.

Nao sabia ao certo de quem era aquele quarto, e obviamente não iria simplismente entrar para descobrir. Apoiou um dos lados da cesta em sua cintura para que tivesse um de seus braços livres, e andou até a porta para que pudesse investigar, mas sentiu o molhado do chão quando se aproximou. A deixou irritada, tinha acabado de por suas meias e uma delas estava ensopada. Deu três batidinhas na porta. - Tem alguém ai?. - Não disse muito alto, talvés a pessoa estivesse dormindo.

Ah, Lire. Era verdade que a vontade de se mover era nula, mas ouvir as batidas e a voz dela o chamando o fez tomar fôlego e se erguer na cama, sentando-se na beirada, e esticando o corpo para abrir a porta. - Oi elfinha, estava mesmo precisando falar com você. - Ele sorriu para ela e endireitou o corpo, ainda mantendo-se sentado na beirada. - Ocupada?

Óbvio, só podia ser ele. Se abaixou para deixar a cesta lá, não acreditava que demoraria muito mesmo, então o imortal abriu a porta. Já estava se acostumando com o fato dele ficar por ai só de bermuda, ainda permaneceu no lugar aonde estava mas se encostou no batente. - Falar comigo? Eu só estava indo para a lavanderia, mas sem pressa! Fale.

-Ah, é que depois que trocamos os valores dos objetos e tal, eu não sei, a semana pareceu meio corrida. - Ele falou rindo. - Eu acabei esquecendo de falar com você sobre os ovos.

Apontou com a cabeça para o “cantinho dos ovos” - como assim havia apelidado. - Falei com um especialista, por assim dizer, e ele me disse que são ovos de um Dokebi e uma Flubell. Ainda pensando que é injusto você não ter nenhum deles, afinal, bem ou mal, você acabou me ajudando bastante na missão, pensei em te perguntar antes de entregá-los para o dono da pet shop, pois eu não tenho nenhum interesse… Você quer algum deles?

[ QG (Quarto Siegh) - Tarde ]

lire-eruel-gct:

immortal-sieghart:

Chegara no QG depois de uma longa jornada de caravana, estava cansado, mas acabara não dormindo durante o percurso, ficou lá observando a paisagem, observando as pessoas, observando a ruiva.

Tinha algo muito errado com seus pensamentos ultimamente, não poderia estar se sentindo assim em relação à ela? Podia?

De qualquer maneira foi para seu quarto, deixando seu casaco - recuperado depois de se despedir de Elesis -, gravata, blusa, meias e botas no seu quarto, de qualquer maneira. Ainda olhou por um momento para seus “mascotes”, que pareciam bem e felizes num canto - seja lá como poderia um ovo estar feliz.

Logo dirigiu-se ao banheiro, tomando um bom banho quente e tirando de seu corpo o cheiro da bebida e do abafado daquele salão, contentando-se quando estava limpinho e cheiroso. Logo voltou de toalha todo percurso - tinha esquecido suas roupas - e molhou um tanto do chão do corredor, mas não se importou. Não tinha saco para se secar como normalmente, utilizando de seu próprio calor. O calor qual eles estavam agora - já que o dia tinha amanhecido quente - seria o suficiente para secar tudo.

Encostou sua porta, não o suficiente para fechá-la, pois sentia calor e o vento fresco da sua janela aberta para o corredor o contentava, e vestiu apenas um short de ficar em casa. Depois escancarou sua porta, deixando que o vento soprasse, e jogou-se na cama, sentindo que estava exausto.

Estava mesmo. Emocional e fisicamente.

Havia algum tempo desde que a elfa chegara da festa. Ja que havia partido na mesma noite que chegou já tinha tomado banho, se trocado e descansado o bastante. Descia as escadas com sua cesta de roupas sujas em mãos enquanto cantarolava alguma musica em sua lingua ate perceber uma das porta do corredor entreaberta.

Nao sabia ao certo de quem era aquele quarto, e obviamente não iria simplismente entrar para descobrir. Apoiou um dos lados da cesta em sua cintura para que tivesse um de seus braços livres, e andou até a porta para que pudesse investigar, mas sentiu o molhado do chão quando se aproximou. A deixou irritada, tinha acabado de por suas meias e uma delas estava ensopada. Deu três batidinhas na porta. - Tem alguém ai?. - Não disse muito alto, talvés a pessoa estivesse dormindo.

Ah, Lire. Era verdade que a vontade de se mover era nula, mas ouvir as batidas e a voz dela o chamando o fez tomar fôlego e se erguer na cama, sentando-se na beirada, e esticando o corpo para abrir a porta. - Oi elfinha, estava mesmo precisando falar com você. - Ele sorriu para ela e endireitou o corpo, ainda mantendo-se sentado na beirada. - Ocupada?

[ QG (Quarto Siegh) - Tarde ]

Chegara no QG depois de uma longa jornada de caravana, estava cansado, mas acabara não dormindo durante o percurso, ficou lá observando a paisagem, observando as pessoas, observando a ruiva.

Tinha algo muito errado com seus pensamentos ultimamente, não poderia estar se sentindo assim em relação à ela? Podia?

De qualquer maneira foi para seu quarto, deixando seu casaco - recuperado depois de se despedir de Elesis -, gravata, blusa, meias e botas no seu quarto, de qualquer maneira. Ainda olhou por um momento para seus “mascotes”, que pareciam bem e felizes num canto - seja lá como poderia um ovo estar feliz.

Logo dirigiu-se ao banheiro, tomando um bom banho quente e tirando de seu corpo o cheiro da bebida e do abafado daquele salão, contentando-se quando estava limpinho e cheiroso. Logo voltou de toalha todo percurso - tinha esquecido suas roupas - e molhou um tanto do chão do corredor, mas não se importou. Não tinha saco para se secar como normalmente, utilizando de seu próprio calor. O calor qual eles estavam agora - já que o dia tinha amanhecido quente - seria o suficiente para secar tudo.

Encostou sua porta, não o suficiente para fechá-la, pois sentia calor e o vento fresco da sua janela aberta para o corredor o contentava, e vestiu apenas um short de ficar em casa. Depois escancarou sua porta, deixando que o vento soprasse, e jogou-se na cama, sentindo que estava exausto.

Estava mesmo. Emocional e fisicamente.

[ Sacada da Ala Esquerda - Madrugada ]

Por sí, responderia novamente o moreno, mas pode perceber a ruiva. Ela realmente não estava feliz com a situação. Apenas permaneceu em silêncio, buscando trazer um pouco de paz para sí e para a espadachim. E onde estava você, óh imortal herói, quando seu reino precisou? Pensava sozinho. O fato de ele parecer ignorar meio discurso do arcano não agradava. Apenas encostou-se novamente em um canto,  e ficou em silêncio, observando de canto de olho a ruiva.

Não vale a pena… Não quero deixar ela mais irritada.

O clima confortável havia desaparecido há muito, para ser sincero, do momento em que o outro havia chegado tropeçando em seus próprios pés. Assim, tendo a conversa como findada, ele também se calou, não vendo mais nada a se falar. Ao menos agora poderia ficar quieto sem que soasse estranho.

O vento voltou a o arrepiar, batendo contra sua nuca frio. Ali, naquela sacada, o clima estava realmente gelado. Suspirou e voltou seus olhos para o leste, vendo que, bem devagar, a luz surgia, dando espaço para um novo dia. A festa, lá embaixo, já deveria ter acabado nessas alturas, concluiu.

-Acho que devíamos voltar para o QG. - Ele comentou, rompendo o silêncio. - A festa já acabou e o ânimo de todos nós também. 

A espadachim assentiu com a cabeça assim que o imortal falara; passou o tempo em silêncio, e manteria aquele silêncio se fosse por ela. Simplesmente bocejou e tropeçou alguns passos para sair da sacada, balançando levemente a cabeça com o intuito de afastar o sono. Passaram a noite inteira acordados, era de se esperar que a ruiva estivesse com sono.

Passou um braço por cima do ombro dela, sustentando-a em seu lugar, antes que tropeçasse de tão trôpega que estava. Ao lado dela desceu as escadas, também seguido pelo arcano, e pegou a primeira caravana que voltava para o QG. Escondido, também bocejou. Tinha sono e a noite fora longa, sem contar que ainda teriam três ou quatro horas de viagem até a torre novamente.

Permitiu-se encostar nas paredes da caravana, fechando os olhos, porém sem dormir, apenas queria relaxar um pouco toda a tensão qual estava submetido.

Talvez devesse falar com o Ronan depois. Quem sabe se desculpar por algumas coisas. Por mais que muitas delas ele achasse verdade, muito ele falou por raiva. Suspirou.

[ Sacada da Ala Esquerda - Madrugada ]

Palavras ao vento.

Bufou, irritada, enquanto virava o resto da bebida na boca; estava estressada e aquela coisa conseguia amenizar a um nível surpreendente o stress que aumentava de acordo que a conversa avançava para territórios incômodos. Como sabia que seria ignorada mais uma vez por ambos os canabanenses, preferiu manter-se em silêncio.

Por sí, responderia novamente o moreno, mas pode perceber a ruiva. Ela realmente não estava feliz com a situação. Apenas permaneceu em silêncio, buscando trazer um pouco de paz para sí e para a espadachim. E onde estava você, óh imortal herói, quando seu reino precisou? Pensava sozinho. O fato de ele parecer ignorar meio discurso do arcano não agradava. Apenas encostou-se novamente em um canto,  e ficou em silêncio, observando de canto de olho a ruiva.

Não vale a pena… Não quero deixar ela mais irritada.

O clima confortável havia desaparecido há muito, para ser sincero, do momento em que o outro havia chegado tropeçando em seus próprios pés. Assim, tendo a conversa como findada, ele também se calou, não vendo mais nada a se falar. Ao menos agora poderia ficar quieto sem que soasse estranho.

O vento voltou a o arrepiar, batendo contra sua nuca frio. Ali, naquela sacada, o clima estava realmente gelado. Suspirou e voltou seus olhos para o leste, vendo que, bem devagar, a luz surgia, dando espaço para um novo dia. A festa, lá embaixo, já deveria ter acabado nessas alturas, concluiu.

-Acho que devíamos voltar para o QG. - Ele comentou, rompendo o silêncio. - A festa já acabou e o ânimo de todos nós também. 

[ Sacada da Ala Esquerda - Madrugada ]

São palavras duras demais, nem tudo é o que vemos…

A ruiva suspirou, baixando o olhar para a taça com o líquido escarlate. Não queria fazer parte daquela discussão, ainda mais quando ambos os canabanenses estavam em Serdin rodeados de nobres que poderiam ter algum ressentimento. Território bem perigoso.

Arme… Não vi mais você, sua tampinha chata.

Pensou ao descolar o olhar pelas ruas iluminadas, bebericando mais um gole da bebida alcoólica. Felizmente não ficaria bêbada só com aquilo; provavelmente só um pouco embriagada. - Meu pai sumiu enquanto enfrentava as malditas forças de Cazeaje. - Murmurou em um tom razoavelmente sombrio, rodando a taça em mãos. - Muitos desses nobres que estão no salão reclamam de perdas materiais, e não de perdas humanas. Nem todos são ruins, e os que obedeceram ordens de Cazeaje eu acredito que tenham o feito sobre a influência da podridão da magia dela. Lembrem-se do Lass, e parem de ficar se alfinetando feito duas velhas imbecis.

Ouviu cada palavra de ambos, sem ter muito o que dizer. O que a ruiva disse representava bem o que sentia, e o que falou da discussão o fez se tocar de como aquilo estava ridículo. -Você tem razão… -Disse, sem expressar quem tinha esta tal razão. -Elesis, me desculpe por isso. -Abaixou a cabeça, uma parte pela embriagues e outra pela própria vergonha. -Ercnard, eu não posso dizer que quis o que aconteceu. -Suspirou profundamente. Cada palavra do imortal parecia um violento soco. -Eu realmente era o braço direito da rainha. Eu realmente não percebi o que estava acontecendo. Eu manchei os campos de Vermécia com sangue, e a bandeira de nossa pátria junto. -Admitir aquilo doía. Choraria se estivesse mais bêbado. -Cazeaje bolou um plano muito bem articulado, prevendo cada passo e movimento de cada soldado que pudesse intervir em seus planos. Eu, sendo da guarda real, fui incluído nisto… É realmente uma desgraça sem tamanho… Mas não havia o que se fazer.

Tomou fôlego para levantar a cabeça. -Depois do assassinato do Rei, todas as vezes que pude testemunhar a dor da rainha e do reino, eu quase podia sentir todas aquelas vozes dizendo que eu era o culpado, mas eu consegui me manter de pé até hoje por que sei que eu teria salvo toda Canaban e morrido por ela, se tivesse essa chance. -Foi até a beira da sacada, apoiando-se no para-peito. Suspirou profundamente, voltando seu olhar para a lua. -A pior parte de acordar todos os dias com essa culpa, é que mesmo sabendo que não poderia evitar, EU me responsabilizo por isso… Apenas para deixar muito clara a verdade para vocês: Eu não sou apenas mais um nobre arrogante, antiquado e mente fechada. Eu percebi todos os erros que cometi e que toda guarda real cometeu. Foi por isto que fui aos campos de batalha.

-Virou-se para os dois. -Fala como se eu realmente fosse um deles, mas eu não sou. Quando me envolvi diretamente, eu corria realmente um perigo real, mas a morte poderia ser um alívio para esse soldado amargurado naquele momento. Eu senti vergonha a cada passo que dei, mesmo tentando participar dos sacrifícios do reino. Eu preciso admitir que qualquer soldado que lutou e morreu durante a guerra merecia muito mais do que eu consegui, mas eu não posso fazer nada pelos que já se foram e é ai que esta o ponto. -Fechou os olhos, buscando algum ponto de Harmonia naquele momento. -Quando eu encontrei a Grand Chase, vi uma oportunidade de me redimir diante dos meus próprios conceitos e talvez poder trazer a honra que perdi de volta a meu reino… Eu posso ter cometido muitos erros, mas todas as vezes que pronunciei sobre a Honra de Canaban foi para redimir o meu maior erro. Eu corri risco real durante todo o tempo que passei em nossa jornada e acredito que tenha sido a única coisa decente que fiz em minha vida.

Naquele momento, inclinou um pouco a cabeça e abriu os olhos, fitando os dois sem nem uma mínima ponta de desprezo. -Podem dizer ou pensar o que quiserem de mim, mas a única coisa que eu peço é que não desmereçam meu esforço; a única coisa que me orgulho até hoje. Eu lutei ao lado de vocês enquanto pude, e quero que se lembrem disto. Também se lembrem de que aqueles nobres só estão lá agora por que nós possibilitamos isto. Este baile não é uma reunião para nobres esnobes que só pensam em bem materiais, ainda que seja a maior parte dos participantes; é uma comemoração ao NOSSO esforço. -Voltou a fechar os olhos e suspirou fundo. -O que passou já se foi e eu não posso mudar o passado… É só.

-Eu não posso concordar com você. Entendo que tenha usado nosso grupo para se redimir e até acho muito honrado de sua parte tentar se superar, mas mantenho minha posição. O que aconteceu, aconteceu: Você, tanto quanto Cazeaje, é sim culpado por tudo isso. - Falou de súbito, assim que ele terminou. - E a reunião aqui hoje não é para comemorar nosso esforço, é para tampar o buraco que você, sobre os mandos e desmandos daquela bruxa, causou em todo o continente. Assim como todo o resto da Grand Chase em si.

Sieghart engoliu a saliva, estava bravo com tudo aquilo, com razão, e ouvir um sermãozinho de quinta sobre o quanto ele se sentia culpado? Por favor, ele devia se sentir culpado. Era, de fato, culpa dele.

Enfim, anuviou a expressão, tentando ouvir sua própria razão antes de atirar o outro de cima daquela sacada - também, havia demorado muito para que a ruiva estivesse menos chateada consigo pelas coisas que falara. Mas existia um problema na família que se chamava sangue quente. E não queria que ela ficasse, novamente, brava com ele por falar as coisas, para variar, sem pensar.

-É uma pena, realmente, ver uma criança como você que quer, tenta com todas as forças, pertencer ao nosso mundo. Acho muito digno de sua parte, até porque você diz compreender nossos sentimentos, diz saber do nosso ponto de vista… - Ele falou, tempos depois, tentando manter a diplomacia e esconder toda a raiva que sentia. - Mas fazer o que faz não vai redimir seu passado. Conviver com seu fardo não é mais que sua obrigação. Você escolheu fazer o que fez, diferente de Lass, - Dessa vez indicava para a ruiva. - que não tinha consciência alguma de toda a situação, de quem era ou de seu passado. Você deve se lembrar bem disso, foi você quem me contou. - Olhava para ela, explicando seu ponto de vista, depois sorriu breve e continuou, voltando o olhar sério para o arcano. - Mas você vem da mesma família que ela, Cazeaje. Você possui magia e sabe controlá-la. Ronan, você tinha tudo para evitá-la, conhecimento, vontade. Mas você preferiu seguir as ordens dela até que, ao ponto que ela tentou dominar seu corpo você percebeu quem era. 

Então negou. Claro que conhecia a história, no século que resolvia se afastar de Vermécia todos resolviam destruí-la. - É uma pena o que aconteceu, mas não tente se eximir de seus erros. A vida não é justa para ninguém moleque, acostume-se com isso. - Depois suspirou. - E a única coisa que você pode se orgulhar de verdade de toda essa situação é que, graças ao seu erro, a Grand Chase foi criada. 

Putz cara, a treta ali tá ficando maligna..

limethesaint:

lupus-wild:

Aproveitando pra ler a dash pelo celular já que um desconhecido filho da puta de código 35 me acordou tentando me ligar e-e

medo do sieg, é.

não, mentira. só acho ele um fdp mesmo.

Holy: Ei!?

Desculpa.

Ei @_@
Oras porra, nunca disse que ser imortal não te deixava ranzinza

[ Sacada da Ala Esquerda - Madrugada ]

Engoliu saliva a seco e arrumou-se na sacada, tomando mais um gole de vinho para molhar a boca razoavelmente seca. Os gracejos estavam começando a constrangê-la; não se acostumara nem um pouco com a ideia de receber elogios por estar bela, ou ficando mais bela.

O campo de batalha é duro e banhado em sangue. Uma pessoa sem resistência mental não aguentaria passar muito tempo com os pés na terra batida e as mãos mergulhadas em sangue.

Rodou a taça na mão, vendo a bebida escarlate brilhar de forma interessante com a luz do luar banhando-lhe de forma sutil; os olhos e cabelos da ruiva tinham certo brilho escarlate também, embora mais vermelho que o da bebida.

O q-

Arrepiou-se brevemente com a mão do gladiador tocando-lhe no cabelo; o toque dava puxadinhas agradáveis. Se fosse um gato estaria ronronando naquele momento, mas graças as deusas a ruiva não era um gato. Simplesmente manteve-se em silêncio enquanto ouvia as palavras do moreno. Eram palavras tensas, ainda mais quando se tinha um nobre perto deles, e esse nobre tinha postado-se como uma pessoa tão boa e útil. - Mas Sieghart, não estamos generalizando…? - Perguntou-lhe, voltando o olhar escarlate para a face do mesmo.

-Alguns nobres também vão ao campo de batalha e passam os horrores da guerra.-Murmurou. -Esta com raiva de mim, Sieghart? Sabe que não tem motivo para isto, não é? Eu participei de grandes batalhas com a Grand Chase, embora não sejam tantas quanto você. -Fitava-o com o canto dos olhos, recostado na parede.

Aquela conversa começava a ficar incômoda. Alias, será que a ruiva compartilharia da mesma opinião?

Ele fitou a ruiva de volta, mergulhando nos vermelhos dos olhos dela. - Desculpe, você tem razão. Estou generalizando. Mas posso dar, com certeza, essa opinião sobre os que conheci. - Ele continuou fazendo o carinho, ouvindo o murmúrio e as falas do outro canabanense logo depois. - Você achou que pertencia aos campos de batalha, Erudon. Você não nasceu pra isso. E foi você, também, o responsável por manchar o nome de nossa pátria. Não era você o braço direito da rainha quando ela estava possuída por Cazeaje? - A fala parou, a expressão dele tensionou um tanto. Ronan era culpado por aquilo. Era claro o desgosto do herói quando se lembrava da situação. - Não foi você o nobre quem achou que deveria descer de seu patamar e seguir ordens, quando não pode, nem mesmo, notar que nossa rainha estava nas garras daquela bruxa? Onde estava você quando Cazeaje assassinou nosso rei? Você dizia pertencer a guarda real. - Incriminou-o.

Depois limpou a garganta. - Desculpe, isso não é assunto para aqui ou agora. - E fez uma menção com a mão, como se findasse o assunto. - Não concordo com a posição dos nobres no salão, isso é tudo. - Falou.- E estar em um mesmo ambiente que eles enquanto eles proclamam ser os responsáveis pela paz é um insulto a tudo que fazemos, apenas. - Voltou a fazer o carinho nos cabelos ruivos, ele parecia se divertir mais com aquilo. As palavras ácidas saíram sem controle, ele estava em um ambiente de pressão, e quando deu por si falara toda a posição que tinha quanto ao draconiano. Quase se arrependeria se o canabanense soubesse de seu lugar quando Sieghart o chamou a atenção.

[ Sacada da Ala Esquerda - Madrugada ]

- Hm, vamos sair daqui e eu lhe explico. - Falou para o rapaz e apressou o passo, acompanhando o gladiador para fora daquele salão afogado em cheiro de álcool. Foi uma coisa muito agradável abrir aquela janela e sentir o ar frio tocando-lhe a pele -mesmo que desse um pouco de frio-.

- Sacadas são uma ótima escapatória pra quem não quer lidar com serdinos bêbados. - Sorriu de canto, respondendo a pergunta do azuladinho. - E digamos que não estou com muita vontade de ouvir o quanto a Grand Chase mina riquezas e ainda destrói Canaban. - Bufou irritada e pegou o casaco do imortal de bom grado, vestindo-o para aliviar um pouco do frio. - Bando de ricaços… Acham que somos máquinas para ficar fazendo missões sem descanso. - Resmungou, apoiando-se na grade da sacada para observar a noite. Era uma cidade bonita, no fim das contas.

-Entendo o que quer dizer -Disse depois de ouvir tudo. A noite estava realmente bonita. A cidade em sí era bonita, por mais que talvez não fosse fácil admitir. Tomara um pouco de ar, se recuperando um pouco dos efeitos alcoólicos. Olhou para a ruiva novamente. Esta estava ainda estonteante, mas tinha algo a mais. Estava sob a luz do luar, o que realçava cada traço de sua aparência.

-E-Elesis… você parece cada vez mais bonita. Sou eu que estou ficando mais sóbrio ou isso é a luz do luar em seu rosto? -Pergutou com certo sorriso. Não entendia por que o Imortal ficava tão furioso com suas atitudes, mas não era por isso que mudaria.

Ah, sim… “A santa lua que acairela de prata todas as árvores frutíferas…”

Ele realmente está passando dos limites. O imortal apoiou-se ao lado da ruiva, em silêncio no entanto, e cruzou os braços. Mais uma gracinha dessas e ele jogaria o outro canabanense de cima daquela sacada.

Estava de costas para a cidade - não tinha nenhum interesse nela -, mas ao virar a cabeça para fingir observá-la, fitava ambos: horizonte que clareava aos poucos, a própria cidade, e a ruiva.

O vento frio arrepiou-o, batendo em sua nuca e desarrumando os cabelos que demoraram tanto tempo para ficar no lugar. Ele suspirou. - Os nobres não tem nenhuma visão do campo de batalha. E não importa o quanto você explique pra eles, sem estarem lá, com frio, medo e fome… Eles não vão entender. - Falou em um tom baixo, meio que expressando seus pensamentos.

Era por isso que se sentia superior à todos os nobres lá embaixo: Ele passara por experiências que eles nunca entenderiam do conforto e calor de suas casas enquanto outros serviam para buchas de canhão.

Quando o vento bateu de novo alguns fios da franja ruiva da garota ao seu lado vieram em sua direção, fazendo-o reparar que aos poucos não era só ele que se desmontava, mas o penteado dela parecia mais natural agora. Mais de acordo com ela.

Penteou alguns fios soltos, tentando colocá-los no lugar com delicadeza. - Os nobres não pertencem ao mesmo mundo que nós. - Ele falou, deixando bem claro que impunha uma diferença entre os dois e o terceiro canabanense. - Porque eles não tem a menor noção do que passamos e ainda passaremos de dentro de suas residências caras e fortunas a contar. - Apesar da frase tensa, ele continuou fazendo o movimento de antes, como se fosse uma conversa natural, aos poucos conseguia arrumar alguns dos fios ruivos, impedido de sentir a maciez das mexas por conta de suas luvas.

[ Sacada da Ala Esquerda - Madrugada ]

- Lothos vai arrancar a minha cabeça se acontecer mais alguma coisa que suje o nome da Grand Chase.- Sussurrou para o imortal, procurando acalmar-se e voltar o olhar pelo recinto. Sentia olhares, e isso não era interessante.

Diversas sacadas, e eu estou aqui!

Claro, a fala do imortal fora simplesmente magnífica! - Isso! Todo mundo vai ficar bem melhor se tomar um ar fresco! Aqui está puro álcool, e tem muita gente… - Comentou, sorrindo enquanto colocava-se para andar; a última coisa que precisava era de mais um sermão da Lothos por alguma tragédia acontecer e o nome da Grand Chase estar envolvido. 

-Tem razão, Ercnard, eu devia tomar mais cuidado. -Respondeu um tanto constrangido. -Acho uma boa ideia. Vamos. Acho que a Chuva já passou. Se não, é só ficar em algum lugar mais coberto. -Disse deixando seu vinho na bandeja de um Garçom que por lá passava. Infelizmente, ele não trazia nenhuma babida, somente recolhia copos usados. Estava disposto a acompanha-los aonde quer que fossem a partir do comentário do Moreno. Elesis parece tão preocupada. Melhor eu me cuidar mais. Só não entendi por que o Ercnard esta tão estranho… No mínimo esta bêbado também.

-O que tem as sacadas, Elesis?

Ele foi o primeiro a seguir a ruiva, logo depois a guiando escadas acima, achando uma porta alta de vidro com armações de madeira escura, a abrindo.

De fato a chuva parara. As nuvens que cobriram o céu por tanto tempo agora começavam a se dissipar. O moreno respirou fundo, contente por aquele espaço aberto. Soltou as portas, saíndo do ambiente anterior, e caminhou para dentro da sacada arejada. - Bem melhor. - Comentou. Apoiou-se em um dos parapeitos de pedra, notando que já nao estavam mais molhados, afrouxava um pouco a gravata em seu pescoço, sentindo-a apertar. - Tive que aguentar a noite inteira desses nobres chatos sem uma gota de álcool em minha mente. - Falou, finalizando o copo que havia trazido consigo por mera ação mecânica.

Descartou o copo de lado e notou que fazia frio lá fora, olhou para a ruiva, oferecendo seu casaco, mesmo que mudo deixou-se entender, e depois fitou o azulado que parecia quase tropeçar em suas próprias pernas.